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Gentrificação: o que é, como acontece e por que devemos nos preocupar


Nos últimos anos, temos visto bairros populares sendo “revitalizados”, ruas ganhando novos comércios, prédios sendo reformados, e uma estética mais "chique" tomando conta de regiões antes esquecidas pelas políticas públicas. À primeira vista, pode parecer um sinal de progresso. Mas por trás desse processo está um fenômeno urbano cada vez mais presente nas cidades brasileiras e do mundo: a gentrificação.


O que é Gentrificação?


O termo gentrificação (do inglês gentry, que remete à elite social) descreve o processo de transformação de áreas urbanas degradadas ou periféricas em regiões valorizadas, a partir da chegada de investimentos imobiliários, reformas urbanas e novos perfis de moradores — geralmente de classes médias ou altas.


Essa transformação costuma trazer melhorias visuais e estruturais, mas esconde um custo social alto: a expulsão silenciosa de quem vivia ali antes, por não conseguir acompanhar o aumento dos preços e do custo de vida na região.



Como a Gentrificação Acontece?

  1. Desvalorização e abandono intencional Muitas vezes, o processo começa com a negligência: bairros periféricos são deixados à margem do investimento público por décadas. Isso os torna atrativos para investidores que enxergam ali uma oportunidade de lucro.

  2. Intervenção urbana e "revitalização" Com a chegada de projetos de infraestrutura, reformas, novos comércios e serviços — geralmente voltados para um público com maior poder aquisitivo — o bairro passa a ser vendido como “promissor”.

  3. Valorização imobiliáriaO preço dos aluguéis, dos imóveis e até do cafezinho começa a subir. A especulação se intensifica, atraindo investidores e afastando moradores antigos.

  4. Deslocamento da população original Sem conseguir arcar com os novos custos ou se sentir pertencente à nova lógica do bairro, famílias são forçadas a se mudar — quase sempre para regiões ainda mais periféricas.


Quem Ganha e Quem Perde?

✅ Ganha:

  • O mercado imobiliário

  • Investidores e especuladores

  • Comércios de alto padrão

  • Setores da economia que exploram a “nova imagem” do bairro

❌ Perde:

  • Moradores antigos, que são deslocados

  • Cultura local, que é apagada

  • Redes comunitárias e formas alternativas de sociabilidade

  • Diversidade urbana


Gentrificação não é revitalização

É importante destacar: nem toda melhoria urbana é sinônimo de gentrificação. A diferença está em quem é beneficiado pelas mudanças. Uma revitalização justa é aquela que melhora a infraestrutura e a qualidade de vida de quem já vive no local, garantindo direito à cidade, moradia digna e permanência.



Casos no Brasil e no mundo

  • Em São Paulo, bairros como Vila Madalena, Centro e Brás passaram por processos intensos de gentrificação nas últimas décadas.

  • Em Salvador, o Centro Histórico foi reformado e “turistificado”, mas muitas famílias tradicionais foram retiradas de lá.

  • Em Lisboa, Portugal, o turismo acelerou a gentrificação de bairros como Alfama, transformando casas de famílias em Airbnbs.


É possível evitar?

Sim. Governos e sociedade civil podem adotar estratégias para conter os efeitos negativos da gentrificação:

  • Políticas de habitação social e aluguel controlado

  • Participação popular nos projetos urbanos

  • Regulamentação do mercado imobiliário

  • Preservação da memória e da cultura local

  • Zoneamento inclusivo e direito à permanência


Conclusão


A gentrificação não é apenas uma mudança estética no território — é um processo que revela as disputas por espaço, memória e pertencimento nas cidades. Entender o que está em jogo é o primeiro passo para construir uma urbanização mais justa, inclusiva e democrática.

✊🏽 Cidades não são mercadorias. São espaços de vida.

Nos próximos posts iremos descrever mais de como esse processo de gentrificação afetou uma das cidades de maior economia na bahia.


Fontes da pesquisa:

RIBEIRO, Daniel. Gentrificação em Salvador de 1987 a 2022. UNIFACS, 2022.

GAGO, Ana. O aluguer de curta duração e a gentrificação turística em Alfama. ULisboa, 2018.

MOURAD, Luciana N. O processo de gentrificação do centro antigo de Salvador. UFBA, 2020.

AUN – Agência Universitária de Notícias. Gentrificação em São Paulo. USP, 2018.

CULTURIZE-SE. Arquitetura e Gentrificação no Brasil. 2023.

PUC-SP. Gentrificação na cidade de São Paulo. AGEMT, 2023.


 
 
 

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